O deputado estadual Hermano Morais (MDB) alerta que o Rio Grande do Norte poderá enfrentar um “colapso” no sistema previdenciário caso não haja entendimento entre os Poderes e órgãos autônomos para enfrentar o déficit crescente. A declaração foi feita nesta quarta-feira 15, durante discurso na Assembleia Legislativa.
Pré-candidato a vice-governador na chapa de Allyson Bezerra (União), o parlamentar enfatizou que o rombo nas contas da Previdência compromete a capacidade de investimento do Estado e exige medidas urgentes e estruturais. “Se não houver um entendimento entre os Poderes e os órgãos que têm orçamento próprio para enfrentar essa questão, nós sabemos que vai haver um colapso da questão previdenciária e diminuir de uma vez por todas a capacidade de investimento próprio do Estado”, afirmou.
As declarações foram dadas no mesmo dia em que o jornal Agora RN publicou reportagem detalhando o agravamento do déficit previdenciário estadual. De acordo com os dados apresentados na prestação de contas do Governo do Estado à ALRN, o rombo da Previdência dos servidores civis ultrapassou R$ 2 bilhões em 2025. Esse valor representa a diferença entre o que foi arrecadado e a despesa com o pagamento de benefícios.
Para garantir o pagamento dos aposentados e pensionistas, a diferença precisa ser coberta pelo Tesouro Estadual, o que reduz significativamente os recursos disponíveis para outras áreas. “O governo é obrigado a retirar mês a mês recursos que poderiam estar sendo utilizados para outras despesas e investimentos para promover o desenvolvimento do nosso Estado”, disse.
O parlamentar classificou a situação como um “desequilíbrio gritante” e alertou para a tendência de agravamento do problema. Ele registrou que o aumento do número de beneficiários não é acompanhado pela ampliação da base de contribuintes. “Enquanto o número de aposentados e pensionistas cresce, o de servidores ativos não acompanha essa evolução. Ou seja, mais gente para receber e menos gente para contribuir”, observou.
Hermano Morais ressaltou que o déficit previdenciário não é um problema recente, mas um desafio acumulado ao longo de diferentes governos. Para ele, as medidas adotadas até o momento ainda não produziram os efeitos necessários. “O déficit vem sendo acumulado nos últimos anos e em diversos governos, sem que as medidas adotadas tenham surtido os efeitos esperados”, afirmou.
O deputado também defendeu que o tema seja incorporado ao debate político e aos programas de governo, sobretudo diante da proximidade das eleições. Ele destacou que participa da elaboração do projeto “RN do Futuro”, que inclui a discussão sobre a sustentabilidade da Previdência.
“Esse assunto precisa ser debatido agora, no período que se aproxima da campanha eleitoral. Precisamos discutir com todos os Poderes e órgãos que têm orçamento próprio”, declarou.
Dados recentes da Secretaria do Tesouro Nacional apontam que o Rio Grande do Norte possui a maior despesa previdenciária proporcional do País, com 34% do total das despesas destinadas ao pagamento de aposentadorias e pensões — um fator que intensifica a pressão sobre as finanças públicas.
O parlamentar concluiu seu pronunciamento defendendo a continuidade do debate e a busca por soluções sustentáveis para o Estado. “Vamos continuar discutindo com seriedade os problemas e as soluções para o Rio Grande do Norte”, afirmou.

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