Críticas a Rogério Marinho ampliam tensão interna na pré-campanha de Flávio Bolsonaro
A condução da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro vem provocando tensão crescente dentro do PL. O principal alvo das críticas internas é o senador Rogério Marinho, coordenador-geral da campanha, acusado por aliados de centralizar decisões e ampliar os ruídos políticos após a crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Reportagens da Veja, do Valor Econômico e do UOL mostram que a insatisfação alcançou parlamentares e integrantes da cúpula do partido. Nos bastidores, Marinho passou a ser chamado de “CEO da campanha”, numa referência ao estilo considerado centralizador por aliados do pré-candidato.
A crise também resultou na saída de Marcello Lopes, conhecido como “Marcelão”, amigo próximo da família Bolsonaro e homem de confiança do grupo político há anos. Segundo integrantes da campanha ouvidos pelo UOL, Lopes divergiu de Rogério Marinho sobre a estratégia adotada para lidar com a repercussão do caso Dark Horse, o que contribuiu para seu desligamento.
A saída do marqueteiro provocou reações dentro do bolsonarismo. O advogado e empresário Fabio Wajngarten manifestou apoio público a Marcello Lopes nas redes sociais, afirmando que ele foi alvo de “ataques covardes” e de uma operação de desgaste dentro da própria campanha.
Outro movimento que ampliou a tensão interna foi a mudança de função do assessor de imprensa Rodrigo Saccone, considerado homem de confiança de Rogério Marinho. Após o anúncio das alterações, ele deixou a assessoria direta da campanha e passou a atuar ligado à coordenação-geral.
Além das divergências sobre comunicação, parlamentares do PL também reclamam da dificuldade de acesso a Flávio Bolsonaro e da falta de informações prévias sobre compromissos do pré-candidato. Deputados e senadores que dependem do apoio político do filho de Jair Bolsonaro afirmam que agendas e decisões têm sido concentradas em um núcleo reduzido.
As queixas já chegaram ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Entre integrantes da legenda, há avaliação de que o endurecimento da coordenação ocorre justamente num momento em que Flávio tenta construir uma imagem mais moderada e ampliar pontes políticas para além do núcleo bolsonarista tradicional.
Procurados pelas reportagens, Rogério Marinho, Eduardo Fischer, Alexandre Oltramari e integrantes da coordenação da campanha não comentaram o assunto.



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