Chico de Paula: um ano de saudade da “Voz de Macau”, o eterno patrono da comunicação macauense
Há um ano, Macau se despedia de Francisco Bezerra da Silva, um dos maiores nomes da história da comunicação local. Com mais de 60 anos dedicados ao microfone, Chico de Paula deixou um legado de serviços prestados à população, amor à cidade e inspiração para gerações de comunicadores.
Macau amanhece nesta quarta-feira, 28 de outubro, marcada pela saudade de uma das figuras mais emblemáticas que já passaram por este chão salgado. Há exatamente um ano, em 28 de outubro de 2025, falecia Francisco Bezerra da Silva, eternizado na memória dos macauenses como Chico de Paula, a Voz de Macau, patrono da comunicação macauense e pai de tantos comunicadores da terra das salinas.
Autodidata, carismático e dono de uma voz inconfundível, Chico construiu uma trajetória que ultrapassou gerações. Muito antes da cidade contar com uma emissora de rádio nos moldes tradicionais, ele já desempenhava um papel fundamental na comunicação e na prestação de serviços à comunidade.
A Amplificadora Ideal e o nascimento de uma história
Dando continuidade ao trabalho iniciado na amplificadora comandada pelo locutor Piauí, Chico de Paula assumiu posteriormente a Amplificadora Ideal, um dos principais canais de informação e entretenimento da população macauense, que permanece em atividade até os dias atuais.
Por meio de alto-falantes, Chico de Paula levava música, notícias, avisos de utilidade pública, mensagens e comunicados de falecimento aos moradores. Naquele tempo, a amplificadora era muito mais do que um serviço de som: era um verdadeiro elo entre as pessoas e os acontecimentos da cidade.
Sua dedicação era tamanha que, muitas vezes, Chico sequer cobrava pelos serviços prestados. Quando alguém insistia em agradecer, sua resposta simples e marcante era: "Reze por mim". Uma frase que traduzia a generosidade de quem fez da comunicação uma missão de vida.
Chico também foi responsável pela amplificadora da Prefeitura Municipal de Macau, instalada ao lado da Praça Monsenhor Honório, onde hoje funciona o Leva Mais Atacarejo. Durante vários anos, atuou como locutor oficial da Prefeitura, levando informações institucionais e comunicados importantes à população. Chico era o responsável pelos cerimoniais e apresentação de eventos oficiais do município.
Mais de 60 anos de microfone e serviços prestados
A história de Chico de Paula se confunde com a própria evolução da comunicação em Macau. Ao longo de mais de seis décadas, ele atuou em praticamente todas as vertentes da locução.
Além do trabalho na Amplificadora Ideal e no serviço de som da Prefeitura, marcou presença na locução volante, percorrendo os quatro cantos do município com seu tradicional fusquinha amarelo equipado com as famosas bocas de ferro, anunciando produtos, divulgando eventos e movimentando o comércio local.
Também participou de comícios políticos, animou eventos populares e apresentou shows de artistas regionais e nacionais que passaram por Macau. Seu talento e sua popularidade fizeram dele uma presença indispensável nas grandes ocasiões da cidade.
Chico também integrou a história da Rádio Salinas, emissora que viveu um período de grande destaque e alcançava, por meio de suas ondas sonoras, diversas cidades do Rio Grande do Norte e até localidades de outros estados. Nos microfones da emissora, deixou mais uma importante contribuição para a radiodifusão.
Conhecido tanto como o mensageiro da alegria quanto como a voz que anunciava as despedidas, Chico ocupou um lugar singular no cotidiano macauense. Sua voz anunciava acontecimentos, aproximava famílias, divulgava festas e também levava às casas as notícias de quem havia partido.
Da comunicação à vida pública
A credibilidade conquistada junto à população também abriu caminho para sua participação na política. Reconhecido pelo contato direto com o povo e pela confiança construída ao longo dos anos, Chico de Paula disputou e foi eleito vereador em Macau.
No Legislativo municipal, passou a representar parte das demandas de uma comunidade que já conhecia sua voz, sua história e seu compromisso com a cidade. Sua trajetória demonstrou que a comunicação também pode ser uma ponte entre a população e a vida pública.
Uma despedida que parou Macau
A dimensão de sua importância ficou evidente no dia de sua despedida. A notícia de sua morte provocou manifestações de pesar de comunicadores de diversas partes do Rio Grande do Norte, demonstrando que sua história ultrapassou as fronteiras do município salineiro.
Em Macau, o cortejo fúnebre reuniu uma multidão pelas ruas da cidade. Moradores, amigos, familiares, autoridades e profissionais da comunicação foram prestar a última homenagem a um homem que dedicou boa parte de sua vida a servir à população por meio da voz.
A cidade praticamente parou para dizer adeus a um de seus personagens mais queridos. Foi uma despedida marcada pela emoção, pelo reconhecimento e pela certeza de que algumas pessoas deixam marcas que o tempo não consegue apagar.
Um legado que continua vivo
Passado um ano de sua partida, Chico de Paula permanece presente na memória coletiva de Macau. Sua história inspira profissionais que encontraram no rádio, no microfone e na comunicação uma forma de servir à sociedade.
Para quem vive da comunicação, sua trajetória representa muito mais do que uma carreira de sucesso. Representa dedicação, humildade, compromisso com a comunidade e amor por uma profissão que exige responsabilidade e sensibilidade.
Chico de Paula não foi apenas um locutor. Foi a voz de uma cidade, o mensageiro de gerações e uma referência para todos que vieram depois dele. Seu nome permanece gravado na história da comunicação macauense e no coração daqueles que tiveram o privilégio de ouvi-lo.
Neste dia tão emblemático, o **Blog do Locutor Leão e o Programa Manhã Boas Novas** prestam esta singela homenagem a Francisco Bezerra da Silva, nosso eterno Chico de Paula, símbolo da história de Macau e referência para todos nós que trabalhamos com comunicação.
Um ano de saudade, gratidão e reconhecimento.
Chico de Paula, a Voz de Macau: uma história que o tempo jamais conseguirá silenciar.



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